Mostrar mensagens com a etiqueta In Shadow; Rádio. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta In Shadow; Rádio. Mostrar todas as mensagens

domingo, 4 de dezembro de 2011

Espelho Mirror - 2ª Parte

Mil e um movimentos, mil e um comportamentos discordantes, mil e uma simulações despersonalizadas.
No ecrã são projectadas as imagens dos seus três heterónimos.

«Não quero que os heterónimos venham porque vou pensar neles. Quero ir buscá-los Lá. Quero a verdade deles».

Num movimento incisivo, apaga cada vela delicadamente acesa, para depois derramar a cera pelo corpo frio e deixar que se entranhe na pele.
Desprovido dos emblemáticos preceitos de uma sociedade tradicional, Bruno Rodrigues dá corpo a três heterónimos, que espelham a versatilidade de uma personalidade que nunca muda, «às vezes é obscura».

«Gosto de ser eu próprio com todas estas facetas (…) Não ter heterónimos durante vinte e quatro horas deve ser uma tristeza. Vinte e quatro horas é muito tempo»
 
À margem da autocontemplação, Bruno deixa de lado o espelho, enquanto acessório meramente ilustrativo, e procura o rumo do seu "eu", em efémeros momentos de reflexão.

Anos e anos do que não foi eu | Vivi recluso no ser que era o meu. | Anos e anos de quem nunca fui | Vivi submisso do meu ser que flui. FP


Conhecer o universo de comportamentos, que fervilham no interior de um ser sem destino, é um dos propósitos dos homens estranhos que estão agora em pleno palco, no Teatro do Bairro, a apagar velas transitoriamente acesas.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Olhar (N) a Sombra

O olhar era trémulo. Desarmado. Oscilava entre o vazio e o retrato das fisionomias irregulares que o rodeavam.
Deixou o cansaço trancado em casa e partilhou na Pickpocket Gallery o segredo do seu olhar. Um olhar que desmonta expressões corporais, e que constrói interpretações espontâneas de um universo fotográfico singular.
*
Cláudio Ferreira tem 37 anos e traz o poder do olhar, na sombra corporal de um Alguém em permanente contacto com a tecnologia.
Num envolvimento intenso com todo o making off, da segunda edição do Festival In Shadow, Cláudio criou atmosferas marcadamente densas em que a presença da tecnologia foi imprescindível.
As imagens em exposição, na Pickpocket Gallery, retratam sensibilidades que procuram uma liberdade provisória, no rasto de uma luz que se pode tocar.
Sem nunca descurar o corpo como pilar edificador de espaços desiguais, Cláudio Ferreira assinou um contrato a termo incerto com o tempo, e congelou cada instante decisivo nos espectáculos, que integraram a segunda edição do Festival In Shadow.
O contacto com pessoas interessantes e a possibilidade de usufruir de uma aprendizagem singular, foram duas das retribuições, que hoje recorda através da sua participação, na terceira edição deste Festival.
*
Mergulha fundo, na sombra de um universo complexo. O olhar tímido perde-se na multidão de gestos incertos.
Cláudio Ferreira tem uma voz grave, e acompanha os movimentos concordantes de duas mãos, que pretendem complementar o significado de cada palavra falada.
As imagens fortes que captou, pertencem a um registo distinto ao qual não conseguiu fugir quando desafiado pela força de um olhar propositado.
Viver sem a imagem está fora dos seus planos. O seu caminho passa pelo envolvimento com a multidão, pela percepção das sensibilidades e pelo cruzamento das sombras frementes.
Sim, tudo isto podia não ter sido captado. Tudo isto podia permanecer na sombra de um corpo ausente. Ainda assim, não seria a mesma coisa.